Com tanto benefício para o coração, nada justifica passar reto pela
fruta no supermercado.
Em um estudo da Universidade de Toronto, no Canadá, essa gordura fez a diferença para pessoas que travavam luta contra o colesterol alto, um dos principais fatores de risco para doenças cardíacas. No primeiro mês da pesquisa, 24 voluntários com o problema seguiram uma dieta pobre em gorduras saturadas, daquelas que colocam as artérias em perigo e abundam em produtos industrializados. No mês seguinte, os estudiosos orientaram parte da turma a adotar um cardápio convencional, com pouca gordura monoinsaturada. O restante, sortudo, foi estimulado a caprichar no ingrediente que dá fama ao abacate e ao azeite de oliva. "Ao final da análise, os exames de todos indicaram uma redução significativa nas taxas de colesterol LDL", conta o especialista em nutrição Cyril Kendall, um dos autores da investigação. "Contudo, apenas os indivíduos que colocaram a gordura monoinsaturada na rotina viram as taxas de colesterol HDL subir", ressalta o cientista. Enquanto o LDL é uma partícula que deixa o colesterol se acumular nas paredes das artérias, o HDL realiza uma espécie de faxina que expulsa a gordura dos vasos. Daí a importância de derrubar um e levantar o outro, a exemplo do que aconteceu com os voluntários do experimento canadense.
Por que o abacate?
Mas, se há outras fontes de gorduras monoinsaturadas dando sopa no mercado, por que estamos encorajando a dar uma chance para o calórico abacate? Bem, uma pesquisa da Universidade Penn State, nos Estados Unidos, ajuda a responder à questão. Nela, 45 voluntários acima do peso e com colesterol alto seguiram três padrões de dieta - cada uma por cinco semanas. A primeira era baseada na restrição de gordura. A segunda e a terceira, por outro lado, permitiam doses moderadas do ingrediente - só que, enquanto uma indicava óleos como fontes de gorduras monoinsaturadas, a outra receitava um abacate diário.Os resultados apontaram, então, que o cardápio abastecido de gorduras monoinsaturadas provenientes da fruta, e não dos óleos, foi mais eficiente na diminuição de triglicérides, colesterol ruim, o LDL, e colesterol total, os fatores que escancaram as portas para ataques cardíacos e outras complicações. "Isso significa que a presença dessa versão de gordura não é a única explicação para os benefícios proporcionados pelo abacate", conclui Li Wang, expert que assina o trabalho.
Fitosteróis
Nenhuma surpresa para o nutrólogo Edson Credidio, de Campinas, no interior paulista, que estuda o alimento há dez anos. "O abacate impulsiona a queda do colesterol porque concentra beta-sitosterol", revela. A substância faz parte do grupo dos fitosteróis, que são quimicamente semelhantes ao colesterol. Por isso, eles conseguem tapear o organismo, sendo absorvidos, lá no intestino, no lugar da molécula gordurosa causadora de danos ao peito. Corroborando os achados estrangeiros, Credídio mostrou, em seu doutorado pela Universidade Estadual de Campinas, que o consumo diário de 400 gramas da fruta - algo como uma unidade - fez o colesterol LDL de 100 voluntários despencar de 5 a 15%. Enquanto isso, o HDL subiu. Outro detalhe importante: o grupo não engordou.Blindagem
Tem muito mais. A glutationa, detectada em altas doses na polpa verdinha, é um antioxidante poderoso, que varre os radicais livres capazes de prejudicar as células, segundo a nutróloga Marcella Garcez Duarte, diretora da Associação Brasileira de Nutrologia. A propriedade garante não só a blindagem do coração como uma menor probabilidade de desenvolver mais doenças da pesada, como o câncer. Só tome cuidado porque, em um piscar de olhos, a glutationa pode desaparecer. Uma solução é colocar o pedaço da fruta dentro de um pote hermético - e, se quiser, levar à geladeira. Assim você salva a glutationa.
Aumentar o colesterol bom e diminuir o ruim é uma das capacidades do
abacate.
Foto: Alex Silva
Foto: Alex Silva






Nenhum comentário:
Postar um comentário