terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Mix de ervas emagrece até 4 kg em 21 dias e deixa a barriga sequinha

Se enxugar as formas rápido é o que você precisa, siga este plano regado a chás - ele reduz a fome, a gordura e ainda diminui até 16 centímetros de abdome!


O chá ajuda a acelerar o metabolimo, controlar a ansiedade e desintoxicar o organismo

É verdade que algumas ervas possuem propriedades que auxiliam na perda de peso, mas é preciso a indicação de um especialista sobre quais as espécies seguras para a saúde, quanto consumir e de que modo. "Existem plantas que eliminam o inchaço, melhoram o intestino, aceleram o metabolismo e reduzem a ansiedade. No entanto, se usadas indiscriminadamente, podem provocar cólicas e até sobrecarregar o fígado", alerta a nutricionista especializada em fitoterapia Mariana Duro, de São Paulo. Outro cuidado é em relação às quantidades: ultrapassar a ingestão de mais de cinco xícaras por dia pode diminuir a absorção de diversos nutrientes pelo organismo. Pesquisa da Universidade de Campinas (SP) revela que o chá verde, por exemplo, baixa a assimilação de ferro e a tendência é levar à anemia.

Seleção natural

 Para tirar o máximo proveito das ervas na hora de afinar a cintura, o indicado é compor um mix com elas e consumi-lo na mesma dose. Conheça abaixo a variedade de tipos e escolha uma erva de cada grupo.
Diuréticas
Cavalinha, hibisco ou pata-de-vaca. Aumentam a circulação de líquidos no organismo e a vontade de urinar, o que favorece a liberação de toxinas. Resultado: acabam com o inchaço e diminuem o aspecto casca de laranja da celulite.
Aceleradoras de metabolismo
Chá verde, branco ou vermelho. "Possuem ação termogênica, ou seja, aumentam a temperatura corporal e mantêm a circulação ativa, o que gasta calorias. Também agem como anti-inflamatório, estimulando o organismo a queimar gordura", afirma a nutricionista Pâmela Miguel (RJ).
Desintoxicantes
Dente-de-leão, alcachofra ou carqueja. Favorecem a eliminação de toxinas do fígado, promovendo uma verdadeira limpeza no organismo.
Redutoras de ansiedade
Mulungu, jasmim ou melissa. Essas plantas são tranquilizantes e dão a sensação de bem-estar. Mais calma, você tende a ter menos fome ou ataques de gula, e os níveis de cortisol (hormônio do stress) também reduzem, evitando o ganho de peso.

Modo de preparo:

Depois de escolher um tipo de cada grupo de erva (exemplo: hibisco + melissa + vermelho + dente-de-leão), faça o seu chá emagrecedor. Você deve tomar quatro xícaras por dia. Ah, os chás podem ser comprados em lojas de produtos naturais. Coloque 1 litro de água filtrada numa panela e leve ao fogo alto. Quando começar a levantar fervura, desligue a chama e acrescente o mix de ervas escolhido - use a medida de 1 colher (sopa) para toda a mistura das ervas secas. Tampe a panela por cinco minutos. Depois coe e tome gelado (ou frio ou morno).
Atenção: o chá não pode ser reaquecido depois de frio, portanto, para manter a temperatura quente, armazene a bebida numa garrafa térmica. O chá gelado deve ser acondicionado na geladeira. Seja como for, consuma em, no máximo, dez horas após o preparo.

Secagem rápida

Este cardápio elaborado pela nutricionista Mariana Duro é composto de alimentos com baixo índice glicêmico (pouco açúcar) e anti-inflamatórios (para evitar o inchaço). O chá deve ser ingerido sempre nos intervalos das refeições, que possuem 1 200 calorias por dia. O plano pode ser seguido por um mês.


Cardápio

Café da manhã

1/2 mamão papaia ou 1 banana amassada + 1 colher (sobremesa) de linhaça dourada em grão germinada (deixada de molho com 1/2 xícara de água por 12 horas) + 1 xícara (chá) de café + 1 fatia de pão de forma integral tostado ou 2 torradas integrais + 1 ovo mexido

Entre o café e o lanche

1 xícara (chá) do mix de ervas

Lanche da manhã

1 fatia de melão ou abacaxi + 1 castanha-do-pará

Entre o lanche e o almoço

1 xícara (chá) do mix de ervas

Almoço

1/2 prato (mesa) de folhas verdes variadas com 1/2 tomate picado e 1/4 de cebola picada + 2 colheres (sopa) de arroz integral ou arroz 7 grãos + 2 colheres (sopa) de feijão ou lentilha + 1 pedaço médio de carne cozida ou 1 filé de frango grelhado + fatias de abobrinha grelhada

Entre o almoço e o lanche

1 xícara (chá) do mix de ervas

Lanche da tarde

1 taça média de salada de frutas com 1 colher (sopa) de aveia em flocos

Entre o lanche e o jantar

1 xícara (chá) do mix de ervas

Jantar

1/2 prato (mesa) de folhas verdes variadas com 1 colher (sopa) de cenoura ralada e 1 colher (sopa) de rabanete ou pepino ralado + 1 batata-doce cozida ou 1 pedaço médio de mandioca cozida + 1 filé de peixe médio grelhado ou 1 lata de atum sem o óleo

Ceia

1 laranja-lima em gomos ou 1 pera

Dor de cabeça, câimbra, azia, irritação "lá embaixo"... saiba como se sentir melhor rapidamente

O primeiro sinal de dor, irritação, coceira ou câimbra é seguido por uma ansiedade para fazer com que o sintoma suma o mais rápido possível. Siga o guia WH de atitudes simples para cortar rapidamente esses pequenos contratempos de sua vida.

Dor de cabeça pode ser o corpo avisando que está desidratado.

Assim que você começar a sentir dor de cabeça

Solte seu smartphone.
Um estudo descobriu que pessoas que seguram o celular muito próximo ao rosto, quando estão ao computador, forçam os olhos, causando dor. Forçar demais os dentes, roendo unha ou mascando chiclete, também pode desencadear a cefaleia, segundo Antônio Sérgio Guimarães, cirurgião-dentista do Instituto da Cabeça, em São Paulo.


SE ISSO NÃO FUNCIONAR...

...beba água.
Uma desidratação média já pode causar uma terrível dor de cabeça, segundo estudo publicado no periódico americano The Journal of Nutrition. A falta de água altera a circulação. Beber 230 ml de H2O tende a acabar com a pressão em minutos.


SE ISSO NÃO FUNCIONAR...

...faça um intervalo.
“Uma rotina corrida pode causar tensão, levando à dor de cabeça”, diz Keri Peterson, médica do Hospital Lenox Hill, de Nova York (EUA). Vá a um lugar sem barulho e use a ponta dos dedos para massagear a testa em movimentos circulares. Se tiver tempo, faça exercícios. “Eles liberam endorfina no cérebro e trazem benefícios, como o alívio de dores”, explica Newton Barros, chefe do Centro da Dor de Cabeça do Hospital Menino Deus, em Porto Alegre.


SE ISSO NÃO FUNCIONAR...

...apele para as ervas.
Uma pesquisa da publicação Headache, dos Estados Unidos, revela que deixar tabletes de gengibre debaixo da língua por 60 segundos – e depois engoli-los – pode conter a dor. Ainda não se sente melhor? Tome algum medicamento à base de ibuprofeno (analgésico). Importante: não confunda dor de cabeça com enxaqueca (dor pulsante intensa, às vezes com vômitos e intolerância a luz e som). “A enxaqueca é uma doença. Se você não a tem e toma remédios para isso, o mal persistirá”, alerta Barros.

Assim que detectar irritação “lá embaixo”

SE FOR EXTERNA...

...troque a calcinha.
Sua área íntima é muito sensível à umidade excessiva. Garanta que ela fique sempre seca vestindo calcinhas de algodão. E, se você usa protetor diário com frequência, saiba que ele abafa a região, deixando-a mais propícia aos fungos. “Ele deve ser usado apenas no final da menstruação”, orienta o ginecologista Augusto Bussab, de São Paulo.


SE ISSO NÃO FUNCIONAR...

...deixe de molho.
“Limpezas frequentes ou relações sexuais intensas podem irritar a pele da vagina”, diz Shari Brasner, professora da Mount Sinai School of Medicine, em Nova York. Uma solução para aliviar o incômodo é o banho de assento caseiro. Dilua duas colheres de sopa de vinagre em 2 litros de água e jogue a mistura na parte de fora da vulva. “Outra opção é um anti-inflamatório à base de benzidamina, como o Flogo-Rosa”, ensina Bussab.


SE ISSO NÃO FUNCIONAR...

...dome o incômodo.
Coceira vaginal é a marca de uma infecção por fungos. No Brasil, pode ser comprado um creme de nitrato de miconazol, que, aplicado por fora, alivia os sintomas.


SE ISSO NÃO FUNCIONAR...

...faça um exame.
Existem três fontes de irritação vaginal: fungo, bactéria e vírus. Por isso, é importante o diagnóstico de um médico. “Às vezes, a paciente acha que é só uma candidíase, mas pode ser herpes, que piora se tratada com corticoide”, diz Bussab.


SE FOR INTERNA...

...procure o seu médico.

Se você sente queimação ou irritação quando faz xixi, pode ser que esteja com cistite (infecção urinária), que deve ser tratada somente com antibióticos prescritos pelo seu médico. Até a hora da consulta, você pode tomar suco de cranberry e Yakult, que alteram o pH da vagina e melhoram a flora vaginal. “Também é recomendável beber bastante água para aumentar as idas ao banheiro e fazer uma limpeza na bexiga”, explica Bussab.

Assim que você detectar câimbras musculares

Pise no chão gelado.
Estudos mostram que temperaturas frias bloqueiam as vias de dor dos músculos e reduzem espasmos em coxas, panturrilhas e pés. Isso porque o estímulo da dor da câimbra e a sensação de frio percorrem o mesmo caminho até o cérebro, que, por sua vez, pode ficar sobrecarregado e não reconhecer de onde vêm os estímulos. “Se a sensação de frio for mais intensa que a dor, o cérebro priorizará esse estímulo”, diz o fisiatra Marcelo El Khouri, do Hospital das Clínicas, em São Paulo.


SE ISSO NÃO FUNCIONAR...

...abuse dos isotônicos.
“Baixos níveis de cálcio, magnésio e potássio frequentemente causam câimbras musculares”, diz a médica americana Keri Peterson. Água de coco e banana ajudam a repor esses componentes, principalmente o potássio, que é muito utilizado na contração e no relaxamento musculares.


SE ISSO NÃO FUNCIONAR...
...estique-se.
Se a câimbra já atacou, alongue-se até que a dor pare ou peça para alguém massagear levemente a região . “A melhor forma de combater a câimbra é evitar excessos na prática de esportes e se alimentar de forma saudável”, recomenda El Khouri. Lembre: ficar muito tempo sentada ou com as pernas dobradas diminui a circulação, deixando-as mais propícias a câimbras.

Assim que você detectar azia


Levante-se.
Se a azia estiver associada também a refluxos – com o o ácido do estômago subindo para o seu esôfago –, você pode ficar em pé para retardar ou evitar o fluxo ascendente.


SE ISSO NÃO FUNCIONAR...

...masque um chiclete.
O periódico americano The Journal of Dental Research disse que pessoas que mastigaram chiclete sem açúcar por 30 minutos tiveram o ácido no esôfago reduzido. O motivo? Mascar gera mais saliva, fazendo você engolir mais vezes e, assim, o refluxo desce. Comer de três em três horas também ajuda a evitar a azia, pois a curva glicêmica fica mais estável.


SE ISSO NÃO FUNCIONAR...

...vá a uma farmácia.
Compre um antiácido. Seu principal ingrediente é o hidróxido de alumínio, que neutraliza o ácido. (Atenção: ingerir esses tabletes como se fossem balas pode causar efeitos colaterais, como diarreia ou, raramente, pedras no rim.) Caso a azia não melhore após o remédio, procure um médico.

Menopausa abre brecha para problemas do coração

Pesquisa Sinta seu Coração revela que a maioria das mulheres desconhece a relação entre menopausa e infarto.


Não há dúvidas em relação ao papel dos hormônios na saúde cardiovascular, em especial do estrogênio. “Entre outras funções, ele atua no equilíbrio dos níveis de colesterol em circulação”, diz o cardiologista Carlos Costa Magalhães, da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo, a Socesp. Estudos mostram também que a substância seria uma espécie de guardiã do endotélio – aquele tapete celular que recobre as artérias e que precisa estar sempre intacto para afastar o infarto. Entretanto, com a chegada da menopausa e a redução na produção hormonal, a mulher deixa de contar com tal aliado.

 Apesar desse panorama, na pesquisa Sinta Seu Coração – realizada com 5 318 mulheres e coordenada pelas revistas SAÚDE e CLAUDIA em parceria com a Socesp e apoio da Nestlé – apenas 30% delas passou a se preocupar mais com o coração depois de ter passar pela fase do climatério. O levantamento, que é considerado o maior retrato sobre o estilo de vida das brasileiras, mostra ainda que um percentual pequeno faz uso da terapia de reposição hormonal (TRH).

Aliás, quando o assunto é TRH surgem controvérsias entre os especialistas. Isso porque durante muitos anos esse tipo de tratamento era visto como danoso para as artérias, já que além do estrogênio traz outros componentes na fórmula. Sem contar os trabalhos que associavam com tumores de mama. Hoje se sabe que a reposição é segura desde que seja muito bem orientada pelo médico. “O profissional deve ser criterioso e avaliar cuidadosamente o histórico da paciente para tomar a melhor decisão”, comenta Magalhães.

Quanto aos benefícios em relação à saúde cardiovascular, o cardiologista afirma que os estudos mais recentes não sugerem a indicação da TRH em prol das artérias. “Ainda que a terapia funcione bem na proteção contra a osteoporose, faltam evidências sobre sua eficácia no que diz respeito à prevenção do infarto”, pondera.

Segundo Carlos Magalhães, para blindar o coração a fórmula mais eficiente é aquela que junta a prática de atividade física regular com a alimentação saudável. Sem esquecer que o cuidado deve ser redobrado para diabéticas e hipertensas.

Veja alguns dados da pesquisa:

Você está na menopausa? 
Depois de entrar na menopausa, passou a se preocupar mais com a saúde do seu coração?
Faz algum tratamento para os sintomas do climatério?
O que está usando nesse tratamento?

Depressão é um dos maiores vilões da saúde do coração

Um levantamento mostra que as brasileiras ainda desconhecem o elo entre depressão e doenças cardiovasculares, como infarto e derrame.

A maior parte das mulheres está insatisfeita com a vida amorosa, sexual e social.
Embora a depressão seja um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares, só 4% das mulheres conhecem essa relação entre os males, de acordo com a pesquisa Sinta Seu Coração, realizada pelas revistas SAÚDE e CLAUDIA em parceira com a Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo. Estudos mostram que o quadro de depressão pode levar à inflamação dos vasos, à formação de placas nas artérias, à pressão alta e à formação de coágulos. Todos esses fatores contribuem para a ocorrência de infartos e derrames.

Os aspectos bioquímicos, contudo, correspondem a apenas 30% das explicações para a conexão entre depressão e doenças cardiovasculares. Os outros 70% recaem sobre o estilo de vida de quem está deprimido, já que essas pessoas não tem disposição para praticar exercícios físicos, não cuidam da alimentação e têm mais dificuldade para abandonar vícios, como o álcool e o cigarro.


Leia a íntegra da reportagem abaixo.


No ranking dos principais fatores de risco para males cardiovasculares, a depressão está no topo, ao lado de hipertensão, tabagismo, diabete e colesterol alto. Já na pesquisa Sinta Seu Coração, coordenada pelas revistas SAÚDE e CLAUDIA, da Editora Abril, em parceria com a Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp) e o apoio da Nestlé, a tristeza sem fim aparece lá embaixo, entre os últimos lugares de uma lista montada para apontar as condições por trás de infartos. Em um universo de 5 318 mulheres participantes, apenas 4% associaram quadros depressivos a piripaques cardíacos.

O Sinta Seu Coração reúne informações coletadas pela área de Pesquisa e Inteligência da editora, por meio de um questionário online com mais de 70 perguntas, nos meses de junho e julho de 2013. Entre os assuntos tratados, há desde hábitos alimentares até o nível de conhecimento no que diz respeito a exames e outros cuidados com o peito. As emoções não ficaram de fora. E, nesse quesito, os resultados foram bem desanimadores.

Melancolia

Os dados dão pistas de que a maior parte da ala feminina anda insatisfeita com a vida amorosa, social e sexual. "Esse retrato denuncia um desgaste vindo da tripla jornada, que engloba trabalho, filhos e casamento", comenta o cardiologista Otavio Gebara, do Hospital Santa Paula, na capital paulista. Espremida numa rotina extenuante, ela deixa de ter tempo para si mesma e fica propensa à melancolia. "As mulheres ainda não perceberam a importância de zelar por suas emoções pensando na saúde cardiovascular", diz o cardiologista Alvaro Avezum, do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, em São Paulo. E olha o perigo: a depressão favorece inflamações e outros danos capazes de impor muito sofrimento aos vasos.

Um estudo brasileiro, apresentado em novembro passado no congresso da Associação Americana do Coração, não deixa dúvidas sobre o potencial inflamatório do estado depressivo. "Avaliamos um grupo de 4 222 pessoas por dois anos e observamos o aumento das taxas de proteína C-reativa nos indivíduos deprimidos", conta o cardiologista Antonio Laurinavicius, do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo. A substância, bastante conhecida no meio médico, é um marcador de inflamação e tem forte vínculo com a aterosclerose, a formação de placas nas artérias.

Mas o martírio dos vasos não se restringe a essa molécula. "Trabalhos apontam uma disfunção no sistema responsável pelo relaxamento e contração dos vasos entre os deprimidos", relata o cardiologista Marcus Bolivar Malaquias, da Sociedade Brasileira de Cardiologia. E quando esse mecanismo vai mal é a pressão alta que pode dar as caras.

Pensa que acabou o suplício? Ainda não. Existem evidências de que a angústia persistente também interfira na agregação das plaquetas, estimulando o surgimento de coágulos. Isso se dá por causa de uma pequena falha lá no cérebro: a desregulação de um neurotransmissor chamado serotonina, o mesmo associado ao bem-estar. "Tal desequilíbrio ajuda a explicar também a predisposição para o acidente vascular cerebral nesses pacientes", diz o psiquiatra Renério Fráguas, da Universidade de São Paulo.

Estilo de vida

Pois é, sobram motivos bioquímicos para justificar por que a depressão figura entre os principais fatores de risco cardiovascular. O mais espantoso, porém, é que isso corresponde somente a 30% das explicações para a conexão entre o distúrbio e infartos, derrames e afins. Os outros 70% recaem sobre o estilo de vida de quem vive pra baixo. "A maioria das mulheres que sofre com depressão não tem disposição para fazer exercícios", exemplifica o cardiologista Maurício Wajngarten, da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo, e um dos autores do trabalho divulgado lá fora.

O desânimo que teima em acompanhar as deprimidas contribui para que muitas nem sequer botem os pés fora de casa e deixem de praticar uma simples caminhada. Pior: elas não cuidam direito do próprio cardápio, o que é um prato cheio para desencadear problemas cardiovasculares. "Há propensão à compulsão alimentar, um dos gatilhos para a obesidade", observa Gebara.

Outra marca da doença é a dificuldade em se livrar de vícios como o tabagismo e o alcoolismo. E, agravando a situação de vez, um dos comportamentos mais comuns é abandonar tratamentos. "Hipertensas e diabéticas desistem de tomar a medicação quando estão em depressão", dispara Malaquias, que também é professor da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais. Dá para imaginar o final da história...

Diretrizes médicas


Diante de um quadro assustador como esse, as sociedades médicas começaram a incluir em suas diretrizes propostas para rastrear a depressão nos consultórios, independentemente da especialidade. "Queixas como cansaço extremo, tristeza e insônia já servem de alerta", enumera Avezum. Segundo o psiquiatra Renério Fráguas, há diferentes tipos de transtornos depressivos, o que complica o diagnóstico. "Mas, em essência, todos são marcados pela diminuição do interesse e do prazer pela vida", explica.

O distúrbio possui um forte componente genético, só que existem alguns estopins capazes de facilitar seu aparecimento, caso do luto, da ruína financeira ou da separação conjugal. Os hormônios também têm sua parcela de culpa. Grandes oscilações dessas substâncias interferem no sistema que regula as emoções. Por isso a mulher em idade fértil é sempre uma séria candidata a se angustiar pra valer. "Elas têm o dobro do risco se comparadas aos homens", diz Malaquias.

Uma das maneiras de manter o mal a léguas de distância é procurar gerenciar o estresse e compartilhar as dificuldades do dia a dia. Sim, a turma do sexo feminino precisa aprender isso urgentemente. A pesquisa Sinta Seu Coração mostra que 18% raramente dividem seus problemas com outras pessoas. "O levantamento também revela que as mais jovens costumam dedicar o tempo livre às redes sociais e, assim, passam horas e horas entregues ao sedentarismo", destaca Gebara. Estimular a prática de atividade física é mais uma estratégia na prevenção e no controle da depressão. "Os exercícios interferem nos núcleos cerebrais que modulam os sentimentos", ensina Fráguas. É melhor correr da tristeza... O coração agradece em dobro.

domingo, 5 de janeiro de 2014

Os benefícios do abacate para o coração

Uma penca de novos estudos mostra que, apesar do alto valor calórico, o abacate é um dos melhores alimentos para controlar as taxas de colesterol e minimizar o risco cardíaco. Aprenda a tirar proveito sem nenhum prejuízo à cintura.


Com tanto benefício para o coração, nada justifica passar reto pela fruta no supermercado.

Pesquisas recentes demonstram que o abacate é uma poderosa arma contra as doenças cardiovasculares justamente por causa da sua gordura - a mesma que faz o valor energético disparar. "Ela é do tipo monoinsaturado, considerado benéfico à saúde dos vasos", já adianta a nutricionista Roberta Cassani, do Instituto de Nutrição, em Itu, no interior paulista.

Em um estudo da Universidade de Toronto, no Canadá, essa gordura fez a diferença para pessoas que travavam luta contra o colesterol alto, um dos principais fatores de risco para doenças cardíacas. No primeiro mês da pesquisa, 24 voluntários com o problema seguiram uma dieta pobre em gorduras saturadas, daquelas que colocam as artérias em perigo e abundam em produtos industrializados. No mês seguinte, os estudiosos orientaram parte da turma a adotar um cardápio convencional, com pouca gordura monoinsaturada. O restante, sortudo, foi estimulado a caprichar no ingrediente que dá fama ao abacate e ao azeite de oliva. "Ao final da análise, os exames de todos indicaram uma redução significativa nas taxas de colesterol LDL", conta o especialista em nutrição Cyril Kendall, um dos autores da investigação. "Contudo, apenas os indivíduos que colocaram a gordura monoinsaturada na rotina viram as taxas de colesterol HDL subir", ressalta o cientista. Enquanto o LDL é uma partícula que deixa o colesterol se acumular nas paredes das artérias, o HDL realiza uma espécie de faxina que expulsa a gordura dos vasos. Daí a importância de derrubar um e levantar o outro, a exemplo do que aconteceu com os voluntários do experimento canadense.

Por que o abacate?

Mas, se há outras fontes de gorduras monoinsaturadas dando sopa no mercado, por que estamos encorajando a dar uma chance para o calórico abacate? Bem, uma pesquisa da Universidade Penn State, nos Estados Unidos, ajuda a responder à questão. Nela, 45 voluntários acima do peso e com colesterol alto seguiram três padrões de dieta - cada uma por cinco semanas. A primeira era baseada na restrição de gordura. A segunda e a terceira, por outro lado, permitiam doses moderadas do ingrediente - só que, enquanto uma indicava óleos como fontes de gorduras monoinsaturadas, a outra receitava um abacate diário.

Os resultados apontaram, então, que o cardápio abastecido de gorduras monoinsaturadas provenientes da fruta, e não dos óleos, foi mais eficiente na diminuição de triglicérides, colesterol ruim, o LDL, e colesterol total, os fatores que escancaram as portas para ataques cardíacos e outras complicações. "Isso significa que a presença dessa versão de gordura não é a única explicação para os benefícios proporcionados pelo abacate", conclui Li Wang, expert que assina o trabalho.

Fitosteróis

Nenhuma surpresa para o nutrólogo Edson Credidio, de Campinas, no interior paulista, que estuda o alimento há dez anos. "O abacate impulsiona a queda do colesterol porque concentra beta-sitosterol", revela. A substância faz parte do grupo dos fitosteróis, que são quimicamente semelhantes ao colesterol. Por isso, eles conseguem tapear o organismo, sendo absorvidos, lá no intestino, no lugar da molécula gordurosa causadora de danos ao peito. Corroborando os achados estrangeiros, Credídio mostrou, em seu doutorado pela Universidade Estadual de Campinas, que o consumo diário de 400 gramas da fruta - algo como uma unidade - fez o colesterol LDL de 100 voluntários despencar de 5 a 15%. Enquanto isso, o HDL subiu. Outro detalhe importante: o grupo não engordou.

Blindagem

Tem muito mais. A glutationa, detectada em altas doses na polpa verdinha, é um antioxidante poderoso, que varre os radicais livres capazes de prejudicar as células, segundo a nutróloga Marcella Garcez Duarte, diretora da Associação Brasileira de Nutrologia. A propriedade garante não só a blindagem do coração como uma menor probabilidade de desenvolver mais doenças da pesada, como o câncer. Só tome cuidado porque, em um piscar de olhos, a glutationa pode desaparecer. Uma solução é colocar o pedaço da fruta dentro de um pote hermético - e, se quiser, levar à geladeira. Assim você salva a glutationa.
Aumentar o colesterol bom e diminuir o ruim é uma das capacidades do abacate.
Foto: Alex Silva

Capacidade anti-inflamatória

O combo ofertado pelo abacate ainda inclui uma série de micronutrientes valiosos, como o potássio e o magnésio. E a gama de motivos que põe o abacate na linha de frente em defesa do coração conta também com a sua capacidade anti-inflamatória, como mostrou um estudo da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos. ."Estudos revelam que um dos primeiros passos para o surgimento da aterosclerose, a formação de placas nas artérias, é justamente a existência de um quadro inflamatório", informa a nutricionista Ana Carolina Moron Gagliardi, pesquisadora da Unidade Clínica de Lípides do Instituto do Coração (InCor), em São Paulo.

Moderação

Como se trata de um alimento gorduroso, claro, não dá para consumi-lo de forma desenfreada ou simplesmente somá-lo à dieta sem realizar nenhum tipo de mudança. "O ideal é, na medida do possível, colocar as gorduras monoinsaturadas do abacate no lugar das saturadas presentes nas carnes vermelhas, nos queijos amarelos e na manteiga", recomenda a nutricionista Cristiane Kovacs, do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, em São Paulo.

E o óleo?

Ele tem as mesmas qualidades da fruta. "Em estudo com cobaias, o óleo de abacate também se mostrou tão vantajoso quanto o azeite de oliva", diz a nutricionista Maria Fernanda Cury Boaventura, da Universidade Cruzeiro do Sul, em São Paulo. Se quiser provar, sinal verde para 2 colheres de sopa ao dia. "Ele pode ser usado em refogados, molhos, temperos de salada e na finalização de pratos quentes", orienta Thais Souza, nutricionista da rede Mundo Verde, também na capital paulista.

Vacina é nova aposta da ciência para quem quer parar de fumar

A vacina anticigarro promete dar fim ao tabagismo. Saiba quais são os desafios para cumprir essa missão.


O Brasil tem 23 milhões de fumantes, sendo 9 milhões de mulhetes.

"Nos últimos 20 anos, o número de tabagistas no país caiu pela metade, mas, se colocarmos isso em valores absolutos, ainda são mais de 20 milhões de cidadãos fumando", analisa o pneumologista Ricardo Henrique Meirelles, da Divisão de Controle do Tabagismo do Instituto Nacional de Câncer. Segundo a Organização Mundial da Saúde, 6 milhões de indivíduos morrem todo ano exclusivamente devido ao vício. "Trata-se de uma doença crônica, que apresenta altas taxas de recaída", afirma Eurico Correia, diretor médico da Pfizer Brasil.

É por isso que a farmacêutica com base nos Estados Unidos desenvolve uma vacina terapêutica para acabar com a dependência de nicotina - uma das mais de 4.700 substâncias presentes no cigarro e a responsável pelo prazer ao inalar e soltar fumaça. A ideia desse modelo de tratamento é impedir a molécula viciante de chegar ao cérebro, onde ela estimula a liberação de dopamina, o neurotransmissor por trás daquela sensação de bem-estar.

Fase de testes

A medicação da Pfizer está em uma fase de pesquisa em que os cientistas investigam a sua segurança em seres humanos. Assim, ainda deve levar um tempo até que esteja disponível para os que desejam dar adeus à vontade de abrir um maço. "Por enquanto, o que se pode afirmar é que a vacina é inovadora e muito promissora", diz Correia.

Acontece que, se na teoria tudo funciona bem, os experimentos em laboratório têm demonstrado que há desafios pela frente. Isso porque outras vacinas com mecanismos parecidos já foram testadas e não obtiveram bons índices de sucesso. "As duas grandes dificuldades são criar um anticorpo específico que se una à nicotina sem afetar outras moléculas e fazer com que o sistema imune reconheça e aprenda a produzir sozinho esse novo tipo de defesa", esclarece o psiquiatra Thiago Marques Fidalgo, do Grupo de Apoio ao Tabagista do A.C. Camargo Cancer Center, em São Paulo.

Muito além da nicotina

Em meio às dúvidas, já há uma previsão mais certeira: mesmo que as vacinas demonstrem eficácia em seres humanos, não vencerão sozinhas a dependência. O motivo é que a compulsão por tragar um cigarro não está ligada apenas a aspectos biológicos, mas também emocionais e comportamentais.

"Parar de fumar exige, em primeiro lugar, que o indivíduo esteja motivado. Depois, é preciso que ele seja orientado, por meio de terapia, a rever e mudar o seu comportamento. E, por último, vem o tratamento farmacológico, no qual entraria a vacina", contextualiza a pneumologista Suzana Erico Tanni, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Botucatu, no interior de São Paulo.

E o cigarro eletrônico?

Muito se discute se esse bastão carregado de nicotina em vapor seria uma alternativa. A questão é que, além de ser proibido no Brasil, há quem diga que ele faz mal à saúde. "Aquela fumaça pode, sim, conter substâncias tóxicas. Ainda temos muito o que estudar", diz o pneumologista Oliver Nascimento, da Universidade Federal de São Paulo.


Promessa contra o vício

1. Viagem pelo corpo

Quando a fumaça do cigarro é inalada, a nicotina passa pelos pulmões, cai na corrente sanguínea e dispara rumo ao cérebro - tudo isso em apenas 10 segundos. Por ser pequena, ela dribla a barreira hematoencefálica, uma proteção natural da massa cinzenta.


2. Pouso no cérebro

A nicotina se liga a receptores específicos situados numa região chamada área tegmentar ventral. Essas estruturas já existem ali, mas ficam mais numerosas e ativas à medida que a pessoa fuma.


3. Hora do prazer

A conexão entre a nicotina e seus receptores faz com que um estímulo seja enviado a outro ponto do cérebro, o núcleo accumbens. É lá que neurônios liberam dopamina, neurotransmissor responsável pelo prazer em tragar.


4. Vacina em ação

A ideia é que, com as picadas, sejam lançados na circulação anticorpos destinados a se unir à nicotina. Assim, ainda no sangue, eles se grudam às moléculas viciantes, formando uma partícula de tamanho avantajado.


5. Aqui não!

Nesse novo formato, a nicotina não consegue atravessar a barreira hematoencefálica. Dessa forma, fica impossibilitada de chegar aos receptores cerebrais e instigar no fumante a tão conhecida sensação de prazer.

Fontes: Oliver Nascimento, pneumologista do Núcleo de Prevenção e Cessação do Tabagismo da Unifesp (infográfico e tabela métodos); Luiz Carlos Correa da Silva, Pneumologista da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre; Edinalva Cruz, psicóloga do grupo antitabágico do hospital universitário da Universidade de São Paulo (tabela métodos); Suzana Erico Tanni, pneumologista da Unesp de Botucatu.